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Procrastinação: É melhor ser julgado como preguiçoso do que ser descoberto como incapaz?

  • Foto do escritor: Ricardo C. Machado
    Ricardo C. Machado
  • 7 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 12 de jan.

Procrastinação: É melhor ser julgado como preguiçoso do que ser descoberto como incapaz?

Por que deixamos para o último minuto justamente aquela tarefa que é a mais importante para nossa carreira ou projeto pessoal? Por que o peso de começar parece, às vezes, maior do que o peso de falhar?


Para Freud, a procrastinação é um conflito entre o desejo de realizar e o pavor de ser avaliado por um inconsciente implacável.


O Medo do Fracasso e o Narcisismo Ferido


A procrastinação é, frequentemente, uma estratégia para proteger o nosso Narcisismo. Se eu não começo o projeto, eu ainda posso manter a fantasia de que, se eu fizesse, ele seria perfeito. Ao adiar, eu preservo a imagem de uma "onipotência latente".


No momento em que coloco o "lápis no papel", eu me encontro com as minhas limitações reais.


O sujeito prefere a angústia do adiamento à dor do fracasso — que aqui se manifesta como o encontro com o fato de que meu trabalho pode ser apenas "bom", e não a obra-prima que meu Ideal do Ego exige.


A Tarefa como Objeto de Punição


Muitas vezes, a tarefa que procrastinamos tornou-se inconscientemente associada a uma figura de autoridade (o pai ou a mãe da infância). Realizar a tarefa é, simbolicamente, submeter-se a essa autoridade ou, em alguns casos, superá-la.


Se o sucesso na tarefa significa "superar o pai", o sujeito pode ser paralisado pela culpa. Ele procrastina para não ter que lidar com o triunfo, que no seu inconsciente é sentido como uma agressão ao Outro. Assim, o adiamento funciona como uma autossabotagem que mantém o sujeito em uma posição de eterna promessa, nunca de realização plena.


O Princípio do Prazer vs. O Princípio da Realidade


Nosso aparelho psíquico tende a evitar o desprazer. O "fazer" exige o esforço de lidar com a realidade, com o erro e com o tempo. A procrastinação oferece um ganho secundário imediato: o alívio temporário da tensão ao escolher um prazer substituto (as redes sociais, o descanso, uma tarefa menor).


No entanto, esse alívio é falso, pois o Superego continua cobrando a dívida. O procrastinador vive em um estado de "lazer culpado", onde ele não trabalha nem descansa, permanecendo em um limbo psíquico que consome toda a sua energia.


O que o seu "sintoma" de procrastinação quer te dizer?


Se a procrastinação é a sua sombra, seu inconsciente está tentando te proteger de algo: "Eu prefiro ser julgado como preguiçoso do que ser descoberto como incapaz."


Ao adiar, você cria uma desculpa aceitável para você mesmo: "Eu só não fui excelente porque não tive tempo suficiente". A procrastinação é o escudo que você usa para não ter que enfrentar o veredito final sobre o seu verdadeiro talento e valor.


O Caminho na Psicoterapia


A terapia não te dará uma "técnica de produtividade". Ela te ajudará a desmantelar o tribunal interno criado em seu inconsciente. O objetivo é que você possa encarar o trabalho não como um teste de sobrevivência narcísica, mas como uma expressão da sua Vida.


O foco das sessões será direcionado para que você aceite a imperfeição da obra. Somente quando o sujeito se autoriza a fazer algo "imperfeito", ele ganha a liberdade de começar. O fim da procrastinação nasce da aceitação de que o seu valor não depende de um resultado infalível, mas do ato de se colocar em movimento apesar do medo.


A organização vendida pelos "gurus da internet" nem sempre é suficiente.


A maioria das pessoas tenta resolver a procrastinação com planilhas, quando na verdade deveriam direcionar sua energia em entender o que está além da procrastinação. Entender o por que da "proteção do ego" , "medo da avaliação" e a compreensão da sua própria dinâmica de medo são fundamentais e a única coisa que realmente pode libertá-las


Você se identificou com esse conteúdo e precisa de ajuda profissional para lidar com essas questões?




 
 
 

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