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A Ignorância é Atrevida: Por que quem sabe menos tem tantas certezas?

  • Foto do escritor: Ricardo C. Machado
    Ricardo C. Machado
  • 16 de fev.
  • 2 min de leitura
A Ignorância é Atrevida: Por que quem sabe menos tem tantas certezas?

Um dos maiores problemas do mundo atual é que as pessoas com mais conhecimento estão em silêncio e cheias de dúvidas, e as pessoas mais ignorantes estão gritando e cheias de certezas. Essa observação, embora pareça apenas um desabafo cínico, descreve um fenômeno psicológico real e profundo.


Por que a ignorância costuma vir acompanhada de uma arrogância inabalável, enquanto o conhecimento traz consigo a hesitação e a insegurança?


A psicologia cognitiva chama isso de Efeito Dunning-Kruger: indivíduos com pouco conhecimento sobre um assunto tendem a superestimar sua própria competência, pois lhes falta justamente o conhecimento necessário para perceber o quanto não sabem.


A psicanálise vai além e nos oferece uma leitura sobre o narcisismo e a defesa contra a castração (entenda castração como um medo da perda que surge quando uma pessoa se depara com limites sejam eles internos ou externos).


A dúvida é angustiante. Admitir que não sabemos, que a realidade é complexa e que existem múltiplas perspectivas exige que o sujeito suporte a falta de garantias. O conhecimento real nos confronta com o tamanho da nossa ignorância. Quanto mais estudamos, mais percebemos o vasto oceano do que ainda desconhecemos. Isso gera humildade, mas também insegurança.


A Certeza e a Ignorância

A ignorância opera no registro do Imaginário, onde tudo é completo, simples e binário (certo/errado, bom/mau). O sujeito ignorante se protege da angústia da complexidade agarrando-se a certezas absolutas. Para ele, o mundo é fácil de explicar.


Essa certeza rígida funciona como uma armadura narcísica. Ele não precisa da aprovação do outro para validar suas ideias, porque, em sua fantasia de onipotência, ele já detém a verdade.


Ele não dialoga; ele impõe. Ele não escuta; ele discursa. A opinião do outro é irrelevante, a menos que concorde com a dele.


Por outro lado, quem busca o saber está sempre em falta. O estudioso, o cientista, o analista, sabe que sua verdade é provisória. Ele precisa do outro para testar suas hipóteses, para debater, para construir. Essa necessidade de troca pode ser confundida com insegurança, mas é, na verdade, o motor do pensamento crítico.


Portanto, desconfie dos donos da verdade, dos que gritam suas convicções sem piscar e dos que nunca mudam de ideia. A certeza absoluta é, muitas vezes, apenas o disfarce barulhento de uma mente que parou de crescer para não ter que lidar com a vertigem de não saber.


A dúvida, embora desconfortável, é o único sinal de que a inteligência ainda está viva e pulsante.


O processo de terapia também serve para desconstruir verdades absolutas que temos sobre nós e a vida que vivemos. A cura emerge justamente da compreensão dessas certezas que já não são tão mais certas.


Você se identificou com esse conteúdo e precisa de ajuda profissional para lidar com suas certezas, incertezas e inseguranças?




 
 
 

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