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O Consultório de Bolso: A ilusão da "cura" pelas redes sociais

  • Foto do escritor: Ricardo C. Machado
    Ricardo C. Machado
  • 11 de fev.
  • 2 min de leitura
A ilusão da "cura" pelas redes sociais

Em momentos de angústia, o reflexo moderno é quase automático: desbloquear a tela e buscar refúgio no feed. Lá, entre memes e notícias, encontramos vídeos curtos de "gurus" que parecem falar diretamente com a nossa alma. "Se você se sente assim, é por causa disso", dizem eles, com um tom de voz acolhedor e uma legenda perfeitamente editada.


Por alguns segundos, sentimos um alívio genuíno como se tivéssemos uma solução rápida, objetiva e prática. "Alguém me entende", pensamos. "Não estou louco". Mas será que esse consumo passivo de "sabedoria" digital pode ser chamado de cura? Será possível obter "cura" pelas redes sociais?


A psicanálise nos alerta para uma distinção fundamental: a diferença entre compreensão intelectual e elaboração emocional.


"Diagnósticos" e "Cura" pelas Redes Sociais


As redes sociais são excelentes máquinas de identificação. O algoritmo, treinado para reter sua atenção, entrega exatamente o conteúdo que espelha o seu sofrimento atual. Se você está triste com um término, ele lhe mostrará vídeos sobre desapego. Se está ansioso, verá dicas de respiração.


O problema é que esse espelhamento gera apenas um insight superficial. Saber o nome técnico do seu problema ("ah, eu tenho apego evitativo!") não resolve o problema. Pelo contrário, muitas vezes serve como uma nova forma de resistência. O sujeito se esconde atrás do diagnóstico ou da teoria aprendida no Instagram para não ter que enfrentar a dor real de mudar.


A verdadeira cura psíquica não acontece no conforto da confirmação, mas no desconforto do confronto.


Como a Terapia pode ajudar?


Na clínica, o Terapeuta não está lá para concordar com você ou para lhe dar frases de efeito. Ele está lá para pontuar suas contradições, para questionar suas certezas e para suportar o silêncio que o vídeo de 60 segundos não permite. A cura exige tempo, repetição e, acima de tudo, a presença de um outro real, não de uma persona editada.


Além disso, a "cura" oferecida pelos gurus digitais é genérica. Ela é feita para a massa, para o "seguidor médio". Mas o seu sofrimento é singular. A sua ansiedade não é igual à de mais ninguém, porque ela é tecida na sua história única, nos seus traumas específicos e nos seus desejos inconfessáveis.


Conclusão


Buscar a cura nas redes sociais é como tentar saciar a sede com a imagem de um copo d'água. Pode ser esteticamente agradável e momentaneamente reconfortante, mas, no final do dia, a sede permanece. E a vida real, com toda a sua complexidade não editada, continua esperando do lado de fora da tela.


Você se identificou com esse conteúdo, tem utilizado as redes sociais para buscar refúgio, mas sente que precisa de ajuda profissional para lidar com suas questões?





 
 
 

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